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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Terapia de Integração Sensorial



Integração sensorial é o processo neurológico que organiza a sensação tanto do corpo como do ambiente e torna possível utilizar o corpo de forma efetiva no meio ambiente. Os aspectos espaciais e temporais dos inputs das diferentes modalidades de estímulos são interpretados, associados e unificados. É o processamento da informação… O cérebro deve selecionar promover, inibir, comparar e associar a informação sensorial num padrão flexível e constantemente modificado, ou seja, o cérebro tem de integrar a informação. (Ayres, 1989)

O brincar é uma excelente forma de desenvolver a integração sensorial. Desde pequena a criança naturalmente procura as atividades que promovem uma boa integração da informação recebida através dos sentidos. Ao movimentar-se, aprende sobre os limites do seu corpo dentro do espaço que a rodeia. Ao manipular objetos, aprende sobre o seu peso, textura e força que precisa para segurá-los. Toda essa informação é organizada e armazenada, possibilitando que a criança aprenda cada vez mais sobre o mundo em que vive.

A terapia de integração sensorial deve ocorrer pós criteriosa avaliação através de ferramentas padronizadas como as Observações Clinicas, Perfil Sensorial (Dunn, 1999; 2000) acrescida da observação do brincar livre e eventualmente outros testes conduzidos por terapeuta treinada na área são traçadas as hipóteses diagnosticas e se necessário os objetivos de tratamento.

Esta terapia é conduzida por terapeutas familiarizada com a teoria e metodologia de tratamento e é realizada em sala equipada com colchões, almofadas, diversos balanços, rede, balanço de câmara de ar, o trapézio, materiais como a caixa com grãos e bolas de texturas variadas carrinhos de rolimã e rampa entre outros equipamentos que propiciam a vivencia de brincadeiras com intenso input sensorial, sobretudo tátil, vestibular e proprioceptivo.

Os elementos centrais da terapia são: oferecer o desafio na medida certa; a escolha das atividades deve necessariamente ser feita em parceria com a criança; a terapia deve guiar a auto-organização da criança; propiciar um nível ótimo de alerta; criar um ambiente lúdico; maximizar o sucesso da criança e garantir sua segurança física; modificações do ambiente terapêutico para atrair e envolver a criança; e alimentar a aliança terapêutica: a confiança na terapeuta é essencial para o desenvolvimento do laço afetivo, que é a base para a colaboração eficaz entre o terapeuta e a criança (Parham et al., 2007).

Segundo Magalhães e Lambertucci (2008) a oportunidade para receber uma quantidade extra de estímulos sensoriais, durante brincadeiras significativas para a criança, aumenta sua habilidade para processar informações e responder apropriadamente aos estímulos. A ênfase, portanto, não é só na estimulação sensorial, mas principalmente em como a criança se organiza para responder aos estímulos e emitir respostas adaptativas. Resposta adaptativa geralmente se refere à habilidade para manter o controle postural, planejar os movimentos (praxias) e manter atenção apropriada, de forma a obter sucesso na tarefa.

Através da escolha ativa de brincadeiras, equipamentos e materiais, a criança expressa seu nível de desempenho e capacidade de processamento sensorial, cabendo ao terapeuta, graduar as atividades e promover o “desafio na medida certa” para desencadear respostas adaptativas cada vez mais complexas, que demandem maior integração sensorial.

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