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quarta-feira, 12 de março de 2014

Sete dicas para seu filho parar de chupar o dedo

Chupar o dedo, eis aqui um hábito muito relacionado com as crianças pequenas, e que está presente literalmente desde o útero. É muito comum que desde o ultrassom sejam captadas imagens do feto já tendo esse hábito! “Os bebês têm desde antes do nascimento, um reflexo de sucção muito forte, sugando tudo que surge próximo à sua boca”, explica o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da MBA Pediatria. Esse reflexo é justamente para sua sobrevivência, já que dele depende a amamentação, sua primeira forma de alimentação. Mas muitas vezes o dedo pode ser uma boa opção para isso.
O normal é que esse reflexo primitivo desapareça com o tempo, ao menos até uns 4 meses de idade. Mas com o tempo, ele vai adquirindo significado. “Normalmente o ato de sugar o dedo no primeiro e segundo mês de vida é puro reflexo e depois o bebê aprende a fazer isso até explorando os movimentos mão-boca”, relata a fonoaudióloga Irene Marchesan, presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa). Depois, a criança pode continuar com o hábito por prazer ou por ter uma sensação de acolhimento.
Porém, o grande problema é que chupar o dedo causa diversos problemas. “Se isso se prolonga, pode interferir no posicionamento dos dentes quando eles começam a erupcionar ou até no crescimento dos ossos da face, principalmente da maxila, já que o dedos mais sugado é o dedão voltado para cima”, ensina a especialista. Distúrbios da fala também podem aparecer, com a continuidade desse hábito.
Mas como fazer a criança largar o hábito? “Só se consegue retirar mesmo o hábito se a criança tiver força de vontade para isso. Da mesma forma que funciona com adultos que são motivados a abandonar um vício, é preciso motivar seu filho para a mudança”, acredita Sylvio Renan. Existem diversos métodos e quanto mais tarde são aplicados, mais difícil a adesão. Listamos alguns para você testar qual funciona melhor com seu filho.

Troque por uma chupeta
Quando o ato de sucção ainda é um reflexo primitivo, o dedo não é exatamente o foco. Nessa época, vale trocar por uma chupeta, que é mais anatômica, causando menos males à boca e aos dentes da criança. Além disso, os especialistas concordam que é muito mais fácil descontinuar o hábito da chupeta do que o do dedo. “Com a chupeta você negocia, pode dizer que vai dá-la de presente para as crianças carentes, por exemplo. Você tira da criança, e por mais que ela chore por dois ou três dias, ela não tem o objeto em frente a ela, então vai aceitando. Como o dedo não tem como ser afastado, está sempre à mão”, explica o pediatra Sylvio Renan.
Amamentação - Foto: Getty ImagesNão deixe de dar de mamar
O reflexo é justamente para favorecer a amamentação. “A criança que mama ao seio, muito raramente desenvolve o hábito de chupar dedos”, acredita o pediatra Sylvio Renan. Muitas vezes, quando a mãe tem muito leite ou ele é ofertado de uma forma mais fácil, a necessidade de sucção ainda assim não é sanada, o que pode levá-lo a querer chupar o dedo. Uma solução, portanto, pode ser essa mãe ordenhar um pouco seu leite antes de dar de mamar, o que vai dificultar o trabalho e fazê-lo sugar mais para conseguir o leite. Muitas vezes a criança pode também simplesmente ficar sugando o seio da mãe sem puxar leite, o que também deve ser desencorajado, de acordo com a fonoaudióloga Irene Marchesan.
Bebê chupando o dedo dormindo - Foto: Getty ImagesObserve o hábito durante a noite
“Quando a criança fica maior e continua sugando o dedo, pode fazer isso por puro prazer ou até para ter uma sensação de acolhimento ou simplesmente para adormecer”, considera Irene. Nos últimos casos, em que o hábito a ajuda dormir, os pais podem tentar desencorajá-lo retirando o dedo do bebê durante o sono. Claro que nem sempre ele tem consciência de que faz isso dormindo, como sublinha o pediatra Sylvio Renan, então é um método que nem sempre funciona, mas pode ajudar.
Criança brincando - Foto: Getty ImagesOcupe as mãos do seu filho
Quando a criança se concentra em atividades com as mãos, a necessidade de chupar o dedo é deixada de lado. Portanto, dar a ele brincadeiras que o distraiam, ocupem sua mente e também suas mãos, pode ajudar a criança a largar o hábito. Com crianças pequenas, isso é mais complicado. “O ideal são atividades com brinquedos de montagem, que precisam de concentração e habilidade manual”, explica Sylvio. Mas isso deve ser aliado a conversas com a criança, pois quando ela parar com essa atividade, pode voltar a chupar o dedo.
Mãe e filha conversando - Foto: Getty ImagesProcure as motivações da criança
Muitas vezes o ato de chupar o dedo é uma forma de seu filho se sentir reconfortado. “Algumas crianças têm o hábito de chupar dedos por ansiedade ou insegurança. Carinho e atenção são as melhores formas de libertá-la desses sentimentos”, ensina o pediatra Sylvio Renan. Nessas horas, vale observar em que momentos o pequeno, ainda mais ele se tiver mais de um ano e meio, recorre a esse hábito e conversar com ele sobre essas situações, tentando entender por que elas causam esse tipo de emoção e explicando que ela não precisa ficar nervosa ou temerosa.
Criança levando bronca - Foto: Getty ImagesBrigar não é a melhor opção
Por outro lado, sair brigando e discutindo com a criança nunca é a melhor opção. “Chamar atenção para o fato com punições somente piora o quadro”, ressalta o pediatra, até porque isso causará nos pequenos mais ansiedade e medo. A atitude agressiva do pai nunca é recomendada. “Dizer não de forma firme, substituir o hábito por outras atividades em que outras crianças, os pais ou outros adultos estejam envolvidos pode ajudar muito mais”, acredita a fonoaudióloga Irene. “É a firmeza dos pais com relação a hábitos que mais produz resultados”, completa a especialista.
Mãe e filha - Foto: Getty ImagesNegocie horários e momentos
 Já a negociação é muito efetiva, mas não com todos. “Só dá certo com crianças mais velhas que já possam compreender o que lhes está sendo falado ou proposto”, acredita Irene. Esse entendimento começa a partir dos 18 meses, e para essas situações o pediatra Sylvio Renan ensina uma estratégia. “Recomendo aos pais fazer um joguinho com a criança: desenhar em uma cartolina um calendário, e marcar com uma estrela prateada cada dia passado sem chupar o dedo. Três dias seguidos, por exemplo, merecem uma estrela dourada, acompanhada de um pequeno presente”, ensina o médico, que reitera: caso a criança não tenha bons resultados, é importante que os pais insistam e não demonstrem frustração, pois isso pode piorar ainda mais o quadro, da mesma forma que as brigas.

Fonte: Associação Brasileira de Motricidade Orofacial 

terça-feira, 11 de março de 2014

Mastigar e engolir corretamente previnem linhas de expressão

Mastigar e engolir são atos tão automáticos que podem não receber a atenção que merecem. Ocorre que os movimentos errados podem prejudicar a saúde bucal. Segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, o ideal é praticar a mastigação bilateral para haver um equilíbrio de desgaste e tonificação muscular dos dois lados da face.

Quando a pessoa mastiga mais de um lado do que do outro pode haver alteração na arcada dentária, e a região mais afetada é a articulação temporomandibular (ATM), que liga a mandíbula ao crânio. Depois de algum tempo sofrendo com a sobrecarga, pode ocorrer inflamação e, consequentemente, dor durante a mastigação e na cabeça. A mastigação correta também é peça-chave na digestão, já que a produção de saliva é mais eficiente.
Dentre os motivos que levam a uma mastigação incorreta estão problemas odontológicos, como má oclusão e mordida cruzada, disfunção da articulação temporomandibular (D-ATM), problemas respiratórios, como rinite e desvio de septo, entre outros.
A cirurgiã-dentista, Rosileine Uliana, explica que para ver se há algum problema, basta fazer o autoexame. É só ficar na frente de um espelho e observar atentamente dois pontos: se um ombro é mais alto do que o outro e se, ao sorrir, o meio dos dentes de cima não está alinhado com o meio da arcada de baixo. “Caso haja alteração, é hora de procurar um especialista”, diz.
Engolir para rejuvenescer
Os problemas que causam a mastigação incorreta também podem influenciar a deglutição. Para compensar desequilíbrios e a movimentação errada da língua, a maioria das pessoas contrai os lábios.
Esses movimentos podem ser responsáveis pelas indesejáveis pregas e sulcos na face. As fonoaudiólogas, Silvia Manzi e Yasmin Frazão, afirmam que ao trabalhar os músculos envolvidos nas funções de mastigação, deglutição, fala e mímica facial, é possível atenuar rugas e sinais de expressão.
O segredo é equilibrar as contrações dos músculos faciais ao usá-los para falar. Isso é feito com exercícios de alongamento e inibição muscular, além de mudanças na entonação vocal. Como resultado, face mais jovem com menos rugas e uma comunicação oral mais eficiente, sem precisar fazer caretas.

Fonte: Terra


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Fonoaudiologia e a Esclerose Lateral Amiotrófica - ELA


Para os pesquisadores, familiares e portadores de Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA. Seguem excelentes livretos que enfocam a patologia citada!

* Esclerose Lateral Amiotrófica Atualização 2010.
http://www.abrela.org.br/PDF/livreto_2010.pdf

* Primeiro Manual de informações para pacientes, familiares e Cuidadores elaborado pela ABrELA
http://www.abrela.org.br/PDF/primeiro_manual.pdf

*Manual de uma paciente com ELA.
http://www.abrela.org.br/pdf/Manual_Paciente.pdf

Segue ainda, a dica do livro que eu adorei e recomendo: Eu e ELA: Minha relação com a Esclerose Lateral Amiotrófica.
Escrito pelo Dr. Silvio Antonio Zanini, um médico-paciente paciente de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Ele mostra como é o dia-a-dia com a doença, a perda gradativa dos movimentos e da fala, mas como é possível ainda possuir autonomia e alegria de viver.
http://www.abrela.org.br/abr_page_publicacoes.html

SALIVA. Funções e propriedades


A nossa boca faz parte do sistema digestório e é nela que começa a digestão, auxiliada pela saliva, um líquido produzido por três pares de glândulas salivares: as parótidas, as submandibulares e as sublinguais.
A saliva tem como função lubrificar e diluir o alimento (facilitando a mastigação, a gustação e a deglutição), além de proteger contra bactérias e umedecer a boca. A saliva é composta por ar (por isso o aspecto espumoso), água (99,5%), ptialina, nitrogênio, enxofre, potássio, sódio, cloro, cálcio, magnésio, ácido úrico e ácido cítrico. Possui também proteínas enzimáticas, estruturais e imunológicas.
A saliva humana contém uma substância chamada de imunoglobulina secretória A (IgA), que tem a função de proteger o organismo contra vírus que invadem o trato respiratório e digestivo. A saliva também possui um efeito microbiano, que controla o crescimento de bactérias, por isso, quando não há saliva, há maiores chances de aparecerem cáries dentárias. Alterações na quantidade de saliva também podem causar halitose.
Uma das enzimas presentes em nossa saliva é a amilase salivar, também conhecida como ptialina, que inicia a digestão do amido e do glicogênio, quebrando-os em maltose. A ptialina age no pH neutro da boca, mas é inibida ao chegar no estômago, por causa da acidez do suco gástrico.
Uma pessoa adulta produz cerca de 1 a 2 litros de saliva por dia e ao ingerir algum alimento, a quantidade de saliva secretada aumenta. Ficamos com “água na boca” porque o nosso sistema nervoso estimula a produção de saliva pelas glândulas salivares quando sentimos o cheiro ou o sabor de algum alimento.
XEROSTOMIA é uma alteração na quantidade de saliva na boca. Pode ser causada pela ingestão de alguns medicamentos, idade avançada (com o envelhecimento, as glândulas salivares vão se atrofiando), câncer na região da cabeça e pescoço, diabetes, entre outros. Com baixa quantidade de saliva, os riscos de se ter doenças periodontais, saburra na língua e mau hálito são maiores. Isso também impede a mastigação adequada dos alimentos, fazendo com que a pessoa mude a consistência dos alimentos que ingere, podendo causar problemas digestivos.  

sábado, 18 de maio de 2013

PRESBIFAGIA: Dificuldade na deglutição do IDOSO


Manual – Alimentação saudável para pessoa IDOSA

Download: 

FONOAUDIOLOGIA E ORTODONTIA


Irei ressaltar a enorme importância do trabalho conjunto entre a Fonoaudiologia e Ortodontia. Em minha opinião, ambas se completam, são grandes parceiras e devem caminhar juntas.
Sabemos que alterações dentárias e ósseas podem interferir nas funções de mastigar, deglutir, falar e respirar. Assim como estas mesmas funções, quando não estão sendo realizadas de maneira adequada, podem causar ou contribuir para o surgimento de alterações dentárias.
A Fonoaudiologia tem como um de seus objetivos o restabelecimento destas funções visando o equilíbrio miofuncional.
O trabalho da Fonoaudiologia visa, sobretudo prevenir, habilitar ou reabilitar as funções estomatognáticas. Sendo assim, devemos sempre levar em consideração a tão discutida relação forma x função.
Prioridade é a Ortodontia, quando a forma está interferindo na função. Prioridade é o tratamento fonoaudiológico, quando as funções estão interferindo na forma.
Por isso, a parceria entre Fonoaudiologia e Ortodontia é fundamental quando possibilita a discussão de casos, cabendo aos profissionais envolvidos analisarem as prioridades de tratamento para cada paciente.
A Fonoaudiologia é, realmente, uma grande aliada da Ortodontia, sendo que ambas as partes tem como objetivo principal o resultado que pode ser resumido num sistema estomatognático equilibrado, estável e uma face mais harmoniosa do ponto de vista estético.

Atuação fonoaudiológica no ronco e na apnéia do sono.


Mais do que desconforto, o ronco traz prejuízos para a saúde do paciente. Quando acompanhado pela apnéia do sono, a situação é ainda mais grave.
O ronco representa a dificuldade para que o ar passe pela garganta, causada por um estreitamento nesta região. Este estreitamento acontece, entre outras causas, pelo relaxamento dos músculos próximos à garganta, que “caem” sobre a passagem de ar, dando origem ao barulho do ronco. Quando o estreitamento é pronunciado, pode causar até paradas da respiração, ou a apnéia do sono. Ela pode acontecer mesmo em pessoas que não roncam.
Há vários tratamentos dependendo das causas do ronco e da apnéia. Entre eles, estão a cirurgia, a farmacoterapia, dietas, uso de respiradores artificiais e o tratamento fonoaudiológico com exercícios miofuncionais.
Esses exercícios têm como objetivo fortalecer a musculatura da garganta envolvendo a língua e o palato mole (parte posterior do céu da boca) podendo reduzir em até 40% a gravidade e os sintomas da apnéia do sono.
Os exercícios devem ser feitos com a orientação de um fonoaudiólogo, em frente a um espelho. Para manter os resultados conseguidos na fase inicial, em que os exercícios são mais intensos, eles devem ser continuados todos os dias. Se forem interrompidos, os músculos voltam ao estado de fraqueza e flacidez, permitindo que a apnéia e o ronco retornem.
Ainda que esses exercícios não sejam uma solução definitiva para estes problemas, podem aliviar bastante o incômodo e melhorar a saúde de quem sofre com o ronco e a apnéia. Em alguns casos, os exercícios deverão ser feitos como um complemento a outros tratamentos (como o uso de placas para o maxilar, o CPAP ou a perda de peso).
Se você sofre com ronco ou apnéia do sono, procure um fonoaudiólogo!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A importância da boa mastigação para a digestão


A etapa inicial do processo digestivo é a mastigação. Trata-se da mais importante função do sistema estomatognático, que depende da saúde dos dentes e de adequados movimentos mandibulares, coordenados pelas articulações temporomandibulares (ATM) e sistema neuromuscular orofacial.
A mastigação fica comprometida na presença de diminuição da tonicidade muscular orofacial e comprometimento dos movimentos musculares. O alimento deve sempre ser bem mastigado para melhor auxiliar na digestão, pois, as enzimas digestivas atuam sobre a superfície das partículas alimentares.
Na mastigação adequada, o ritmo mastigatório deve durar de 30 a 40 segundos, com uma média de 15 a 20 ciclos mastigatórios, afirmam Gonçalves e Chehter (2011). Além disso, a mastigação deve ser bilateral alternada, com movimentos verticais e rotatórios de mandíbula.
Ainda segundo os autores, uma mastigação eficiente deve triturar o alimento em partículas cada vez menores, que, ao serem misturadas à saliva, transformem-se no bolo alimentar. Esse bolo, quando bem triturado, favorece a ação das enzimas, aumenta a velocidade de passagem do alimento pelos compartimentos digestivos e evita a escoriação dos mesmos.
Quando o alimento é pouco mastigado, esse bolo alimentar apresenta partículas grandes que são engolidas e digeridas com maior dificuldade. Esse alimento caba sendo digerido mais lentamente, causando uma sobrecarga na atividade digestiva, pois, o estômago precisa trabalhar muito mais para misturar o bolo alimentar mal preparado.
Bibliografia consultada: GONÇALVES, R.F.M.; CHEHTER, E.Z. Perfil mastigatório de obesos mórbidos submetidos à gastroplastia. Revista CEFAC, Dezembro, 2011

Mastigação e emagrecimento


A mastigação é executada pelo sistema mastigatório, constituído pelos dentes, maxila, mandíbula, articulações temporomandibulares, musculatura orofacial, vasos sanguíneos e nervos. Esse sistema apresenta três funções: mastigação, deglutição e fala. Dentre essas funções, a mais importante é a mastigação, pois corresponde a etapa inicial do processo digestivo, tendo como função a trituração dos alimentos, reduzindo-os a pequenas partículas para uma adequada deglutição.
A digestão é o processo de “quebra” dos alimentos em seus constituintes mais simples, com o objetivo de serem absorvidos pelo organismo através do sistema digestivo. Certas alterações digestivas, como engasgos e refluxo gastroesofágico podem ser resultado de hábitos alimentares inadequados, como a má qualidade dos alimentos consumidos e o tipo de mastigação.
A saciedade é a sensação pela qual o indivíduo não aceita mais alimento, de acordo com índices digestórios, metabólicos e endócrinos, que modulam a função nervosa do hipotálamo. Sendo assim, o alimento é ingerido após a percepção da fome, e sua ingestão acaba no momento em que a saciedade é alcançada.
A mastigação estimula o centro da saciedade através de impulsos nervosos gerados nos proprioceptores musculares excitados durante a distensão e contração dos grupos musculares envolvidos na mastigação, principalmente os mandibulares.
 A mastigação pode ser um excelente medidor para a quantidade adequada de alimento a ser ingerido. Durante o processo de trituração do alimento para a formação do bolo alimentar, o organismo vai se preparando quimicamente para a assimilação dos nutrientes, até dar sinais de apetite saciado. Portanto, a boa qualidade da mastigação pode levar ao emagrecimento, enquanto que a mastigação ineficiente pode influenciar na obesidade.

Bibliografia consultada: 
APOLINÁRIO, R.M.C.; MORAES, R.B.; MOTTA, A.R. Mastigação e dietas alimentares para redução de peso. Revista CEFAC, São Paulo, v.10, n.2, 191-199, abr-jun, 2008.
GONÇALVES, R.F.M.; CHEHTER, E.Z. Perfil mastigatório de obesos mórbidos submetidos à gastroplastia. Revista CEFAC, São Paulo, dez, 2011.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Amamentação e formação facial do bebê


  • Toda a musculatura facial é fortalecida durante os intervalos da sucção.
  • O crescimento inadequado da face afeta a respiração, a respiração incorreta prejudica o sono, a memória e a concentração.
  • Ao sugar a mama, o bebê favorece o crescimento da mandíbula, preparando-se para as próximas etapas do desenvolvimento.
  • A dinâmica da cadeia neuromuscular das estruturas ligadas a respiração, mastigação, deglutição e fonação depende da amamentação. Todos os sistemas são interligados.
  • Ao mamar, a criança aprende a respirar, mastigar e deglutir de maneira adequada.
  • A posição da boca nos mamilos provoca a estimulação de pontos articulados responsáveis pela produção dos fonemas.

A importância da boa mastigação para a digestão


A etapa inicial do processo digestivo é a mastigação. Trata-se da mais importante função do sistema estomatognático, que depende da saúde dos dentes e de adequados movimentos mandibulares, coordenados pelas articulações temporomandibulares (ATM) e sistema neuromuscular orofacial.
A mastigação fica comprometida na presença de diminuição da tonicidade muscular orofacial e comprometimento dos movimentos musculares. O alimento deve sempre ser bem mastigado para melhor auxiliar na digestão, pois, as enzimas digestivas atuam sobre a superfície das partículas alimentares.    
Na mastigação adequada, o ritmo mastigatório deve durar de 30 a 40 segundos, com uma média de 15 a 20 ciclos mastigatórios, afirmam Gonçalves e Chehter (2011). Além disso, a mastigação deve ser bilateral alternada, com movimentos verticais e rotatórios de mandíbula. Ainda segundo os autores, uma mastigação eficiente deve triturar o alimento em partículas cada vez menores, que, ao serem misturadas à saliva, transformem-se no bolo alimentar. Esse bolo, quando bem triturado, favorece a ação das enzimas, aumenta a velocidade de passagem do alimento pelos compartimentos digestivos e evita a escoriação dos mesmos.
Quando o alimento é pouco mastigado, esse bolo alimentar apresenta partículas grandes que são engolidas e digeridas com maior dificuldade. Esse alimento caba sendo digerido mais lentamente, causando uma sobrecarga na atividade digestiva, pois, o estômago precisa trabalhar muito mais para misturar o bolo alimentar mal preparado.
Bibliografia: GONÇALVES, R.F.M.; CHEHTER, E.Z. Perfil mastigatório de obesos mórbidos submetidos à gastroplastia. Revista CEFAC, Dezembro, 2011

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desenvolvimento da Motricidade Orofacial


O que é Disfagia?



Deglutir, embora pareça fácil, é de fato um processo fisiológico complexo. Vários mecanismos asseguram o transporte eficiente e a proteção do trato respiratório, conforme os alimentos são engolidos.

Qualquer problema no processo da deglutição que impeça ou dificulte uma alimentação normal chama-se DISFAGIA (dys= alteração e phagein= comer).

A disfagia não é uma doença, mas sim, um sintoma que pode indicar a presença de alguma doença. Pode interferir na condição nutricional e de hidratação da pessoa. Pode também levar a sérias complicações respiratórias (broncopneumonia aspirativa, asfixia) com a entrada de alimentos nas vias aéreas (penetração/aspiração), comprometendo a saúde e qualidade de vida do indivíduo.
A disfagia pode ser decorrente de problemas congênitos durante a gravidez e o parto, ou de problemas adquiridos, como acidentes ou doenças (Traumatismo cranioencefálico, AVC, Parkinson, Alzheimer, etc).

Alguns sinais da presença de disfagia:

Alteração na mastigação
Dificuldade em iniciar a deglutição
Sialorréia (baba)
Tosse
Engasgo
Sensação de alimento parado na garganta
Asfixia
Alteração da respiração
Tempo de refeição prolongado
Medo de se alimentar (perda de apetite)
Perda de peso
Pneumonia
O objetivo principal do fonoaudiólogo com pacientes disfágicos é assegurar sua nutrição e hidratação, quer seja promovendo mudanças nos padrões alimentares mantendo ou reintroduzindo a alimentação por via oral, quer seja indicando, juntamente com outros profissionais da equipe, vias alternativas de alimentação como sonda enteral ou gastrostomia.

Cabe ao fonoaudiólogo fazer as modificações necessárias na alimentação do paciente para garantir sua segurança, sendo estas relacionadas à consistência dos alimentos, posição do paciente ao se alimentar, uso de manobras facilitadoras da alimentação, ao ambiente, horários, etc.

Fonte: Tubero, Ana Lucia. Disfagia: O que é? Guia de informação e orientação dos distúrbios da deglutição. 2ª edição. Ed.Experimento. São Paulo, 2003.

Mastigação e Obesidade


Comer rápido pode engordar. Um estudo realizado com 3.287 pacientes no Japão e publicado no British Medical Journal mostrou bem isto. Este estudo seccional  cruzado analisou o impacto de se comer rápido e de se saciar completamente na gênese da obesidade.
                Pôde-se perceber claramente que comer até sentir-se plenamente satisfeito e comer rápido está associado com sobrepeso em homens e mulheres japoneses, e este comportamento alimentar pode ter impacto substancial no desenvolvimento da obesidade. Quase metade dos voluntários disse que tinha a tendência a comer rapidamente. Comparados com quem não comia rapidamente, os homens com este hábito tinham 84% mais chances de estarem acima do peso e as mulheres tinham duas vezes mais chances. Além disso, aqueles que, além de comerem rapidamente tinham a tendência de comer até se sentirem “cheios”, tinham mais do que o triplo de risco de estarem acima do peso.
                A maneira como comenos está sendo cada vez mais vista como uma área-chave em pesquisas sobre obesidade, especialmente desde a publicação de estudos destacando a existência de uma variante genética ligada a “sensação de estar cheio”. Um estudo publicado recentemente noJournal of Psychopharmacology concluiu que um remédio usado contra a obesidade funcionava ao desacelerar o ritmo no qual os pacientes obesos comiam.
                A OECD (Organization for Economic Cooperation and Development Society), em recente publicação mostra o tempo médio que uma determinada população leva para tomar suas refeições. Aqueles que gastam mais tempo comendo, como, por exemplo, os franceses, têm um índice de massa corpórea menor (são menos obesos).
                Fica claro que como se come, isto é, de forma tranquila, mastigando bem, é fundamental não só para a saúde como um todo, mas também para o controle do sobrepeso.  
Fonte: Barbosa, C. Martigação: um poderoso aliado da dietoterapia. Editora Ottoni, 2009.

terça-feira, 13 de março de 2012

Retirada de hábitos orais: Mamadeira

 
Recomendamos que os hábitos orais devem ser evitados ou eliminados o mais precocemente possível. 
Como fazer isso?
·         A amamentação deve ser exclusiva até 6 meses, mas as mães que conseguirem amamentar um pouco mais, já poderão fazer a transição do peito para o leite na caneca/copo, além da introdução gradual de outros alimentos.
·         Se não foi possível amamentar após todas as tentativas ou por condição física da mãe ou do bebê (doença/incapacidade), utiliza-se a mamadeira com bico ortodôntico e furo sem alargamento. Somente para o tempo necessário, começando a oferecer o leite na caneca/copo assim que a criança já apresentar controle de cabeça e deglutição adequados para tal (quando ela já ficar na posição sentada e consegue ingerir pequenos goles sem se afogar). Muita paciência nesta hora: a criança não se alimentará com a mesma velocidade do adulto.
·         Evitar o uso de diversos modelos de mamadeiras, levando a todo o lugar, quando a criança está fazendo a transição na forma de tomar o leite.
·         Mostrar a importância de crescer e, como crianças maiores, poder tomar o leite na posição sentado como os maiores (conscientização do deixar de ser bebê).
·         Evite trocar ou negociar a substituição por outras coisas. Isso mostra que você não está certo de que quer o melhor para seu filho.
Ainda assim, algumas crianças maiores reclamarão. Mostre a elas problemas que podem acontecer devido a extensão do hábito, como a alteração na arcada dentária.
As principais condutas da família para a retirada do hábito é constância e coerência, ou seja, se você já avisou que vai trocar a mamadeira pelo copo, que o uso prolongado da mamadeira pode prejudicar seus dentes, será incoerente oferecer a mamadeira assim que a criança começar a chorar. Fique tranquilo, explique.
Ofereça amor, carinho e conscientização ao seu filho!

domingo, 11 de março de 2012

Fonoterapia aperfeiçoa resultados da cirurgia bariátrica


Muitos profissionais estão envolvidos na recuperação de um paciente submetido à cirurgia bariátrica, conhecida popularmente como cirurgia de redução de estômago. O fonoaudiólogo, sobretudo nas subáreas da motricidade orofacial (MO) e de voz, é um desses profissionais com papel importante no resgate da qualidade de vida.
     O médico Gabriel de Vargas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, explica que essa cirurgia consiste em reduzir o tamanho do estômago. Ele afirma que, após a cirurgia, obrigatoriamente, haverá uma mudança de comportamento alimentar, pois os alimentos serão ingeridos em pequena quantidade e precisarão ser bem mastigados.
     Nem sempre, no seu processo de reeducação, o paciente procura um fonoaudiólogo. “Temos de entrar no contexto de vida do paciente, que está buscando melhor qualidade de vida. Há muitas doenças associadas que são consequências da obesidade”. Explica a fonoaudióloga Marlei Braude Canterji.
     Mastigação, deglutição, sucção e respiração corretas, além de musculatura sem flacidez, são algumas das áreas em que o fonoaudiólogo irá atuar. “É fundamental que a fonoaudiologia auxilie o paciente, no sentido de favorecer a ingestão de qualquer tipo de alimento, em qualquer ocasião”, afirma Marlei.
     A fonoaudióloga Vitória Régia Brandão explica que é necessário fazer uma avaliação do paciente antes da cirurgia e orientá-lo sobre como deve manipular os alimentos. “Falo também sobre os ajustes da respiração, deglutição, mastigação e de fala.” De acordo com o profissional, a tendência é a musculatura da face do paciente se tornar flácida. Com isso, respiração e mastigação podem se tornar inadequadas. Assim, durante as terapias fonoaudiológicas, o paciente trabalha a musculatura do rosto e do pescoço.
     A fonoaudióloga Silvia Sachett, explica que a terapia é definida a partir das necessidades do paciente. Ela observa que a maioria desses paciente precisa reaprender a mastigar. Com os exercícios para a musculatura, não só as questões funcionais são melhoradas, mas também o fator estético.
     De acordo com a fonoaudóloga Débora Cardoso Rossi, a presença do fonoaudiólogo na equipe de cirurgia bariática ainda não é comum. O trabalho fonoaudiológico precisa ser mais divulgado com esses pacientes tanto no pré-cirúrgico quanto no pós-cirúrgico. “No pré-cirúrgico, é possível trabalhar os músculos mastigatórios, orientar a mordida, a quantidade de alimento a ser ingerido e a postura correta para degluti-los”.
     Após a cirurgia e no decorrer da perda de peso, o fonoaudiólogo verifica as funções de respiração, mastigação, deglutição, fala e voz. Segundo Débora, questões sobre saúde vocal devem ser observadas, principalmente em profissionais da voz. “Mesmo com a dieta estipulada pelo nutricionista, o fonoaudiólogo precisa acompanhar o processo mastigatório”, explica.
Silvia afirma que pode haver discordância entre médicos e fonoaudiólogos sobre o atendimento por ainda não haver um protocolo. Para ela, posteriormente, todos os pacientes passarão por uma triagem.
     O médico Gabriel Vargas conta que a presença do fonoaudiólogo na equipe é uma experiência pioneira no Rio Grande do Sul. Segundo ele, há uma diferença muito importante na adaptação aos alimentos sólidos, principalmente a carne vermelha. “Temos casos de pacientes, operados antes de o fonoaudiólogo fazer parte da equipe, que não comiam carne a mais de três anos. Após o acompanhamento fonoaudiológico, passaram a se alimentar normalmente. Hoje, tenho certeza de que o atendimento fonoaudiológico pré e pós-operatório é indispensável”, destaca.
Fonte: Revista Comunicar, ano XII - número 48

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Músculos da Mastigação

Os músculos da mastigação atuam em grupo, e têm a função primordial de movimentar a mandíbula em diferentes planos ou direções, aproveitando, para isso, as estruturas especiais que conformam a ATM. São considerados quatro músculos pertencentes ao grupo da mastigação: três elevadores da mandíbula, que são o mm masseter, o mm temporal e o mm pterigóideo medial, e um protrusor da mandíbula, o mm pterigóideo lateral. O mm masseter e o mm temporal são superficiais a de fácil palpação enquanto que os outros dois são profundos. Todos eles ligam a mandíbula ao crânio, derivam do mesoderma e recebem a inervação do nervo trigêmeo.
RESUMO DOS MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO
Músculo
Origem
Inserção
Inervação
Função
Masseter (é um mm de grande espessura, forte, quadrilátero e é composto por dois feixes)Margem inferior do osso zigomático (parte superficial) e margem inferior do arco zigomático (parte profunda)Nos dois terços inferiores da face lateral do ramo da mandíbulaNervo massetérico, ramo do mandibular (trigêmeo)Levanta (com força) a mandíbula
Temporal (é o mais potente dos mm da mastigação; estende-se em forma de leque desde a parede lateral do crânio até a mandíbula)Soalho da fossa temporal e superfície medial e fáscia temporalBordas e face medial do processo coronóide (crista temporal) e borda anterior do ramo da mandíbulaNervos temporais profundos, ramos do mandibular (trigêmeo)
Levanta a mandíbula (mais velocidade do que potência)
Retrai a mandíbula com a porção posterior
Pterigóideo Medial (trata-se de um mm quadrangular de certa espessura)Fossa pterigóideaFace medial da região do ângulo da mandíbulaNervo pterigóideo medial, ramo do mandibular (trigêmeo)Eleva a mandíbula, age como sinergista do masseter
Pterigóideo Lateral (é um mm curto, de forma prismática)Face lateral da lâmina lateral do processo pterigóideo e superfície infratemporal da asa maior do esfenóideFóvea pterigóidea e margem anterior do disco da ATMNervo pterigóideo lateral, ramo do mandibular (trigêmeo)
Protrai (e junto com os digástricos abaixa) a mandíbula pela contração bilateral simultânea
Movimenta para um doa lados pela contração unilateral
Estabiliza o disco articular

A Mastigação e suas fases

A mastigação é a mais importante função estomatognática. Consiste na ação de morder e triturar o alimento. Trata-se de uma atividade bastante complexa, altamente dinâmica que exige das fibras aferentes total controle e sincronia da musculatura orofacial.
     A mastigação é um ato complexo que envolve atividades neuromusculares e digestivas. Sua função principal é fragmentar o alimento em partículas cada vez menores, preparando-as para a deglutição adequada, e, em seguida, para a digestão.
     Outra função mastigatória é promover uma ação bacteriana sobre os alimentos colocados na boca, durante a trituração para a formação do bolo alimentar. Além disso, a mastigação também proporciona a força e a função necessárias para o desenvolvimento normal dos ossos maxilares, além da manutenção dos arcos dentais.
     Conheça a seguir as três fases da mastigação, segundo Tanigute (2005):
I. Incisão: A mandíbula eleva-se em protrusão, apreendendo o alimento entre os dentes incisivos. Aumenta a intensidade da contração muscular elevadora de mandíbula, determinando movimentos oscilatórios até o alimento ser cortado.
II. Trituração: Os alimentos são transformados em partículas menores. A trituração é executada pelos dentes pré-molares.
III. Pulverização: Momento em que as partículas alimentares formadas durante a trituração são transformadas em elementos ainda menores.
     Os músculos da mastigação são divididos em masseter, temporal, pterigóideo medial e pterigóideo lateral. Eles são responsáveis pelos movimentos de fechar a boca, deslizar a mandíbula para frente e para trás e também pelos movimentos mandibulares laterais.
Referência: Tanigute, C.C. Desenvolvimento das funções estomatognáticas. In: Marchesan, I.Q. Fundamentos em Fonoaudiologia: Aspectos clínicos da Motricidade Oral. Guanabara-Koogan, 2005.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

OS MITOS DA MOTRICIDADE OROFACIAL NA SÍNDROME DE DOWN

SARA ROSENFELD-JOHNSON, M.S., CCC/SLP 

Publicado na Advance Magazine em 4 de agosto de 2007.



Existe uma impressão visual que cada um de nós tem em mente quando pensamos em uma criança ou adulto com síndrome de Down. Como fonoaudióloga de consultório particular por vinte e cinco anos e como professora da cadeira de “Patologias de Fala e Linguagem” na terapia de Motricidade Orofacial, eu aprendi que esta impressão é um poderoso auxílio didático. Quando eu leciono, peço aos alunos/participantes que me contem o que eles consideram ser as características de uma criança com a síndrome de Down, ou de qualquer criança que tenha hipotonia de um ponto de vista oro-miofacial; via de regra eu obtenho as mesmas respostas. Suas descrições tornaram-se tão previsíveis que eu refiro-me a elas como os “Mitos da síndrome de Down”. Eis o que vêem estes profissionais: um palato duro alto/ogival (Mito#1), protrusão de língua (#2), perdas auditivas condutivas de leves a moderadas (#3), infecções crônicas do trato respiratório superior (#4), respiração bucal (#5), postura de boca habitualmente aberta (#6), e finalmente, a impressão de que a língua é maior do que a sua boca (#7).
Estas sete desordens estruturais e/ou funcionais têm sido comumente associadas à síndrome de Down, então porque rotulá-las mitos? Por que as crianças que as minhas colegas e eu temos trabalhado nos últimos quinze anos não apresentam mais estas características. A comunidade terapêutica permitiu, inadvertidamente, que estes mitos se difundissem por que não reconhecemos que eles possam ser evitados. Estas anormalidades ocorrem na maioria das crianças quando elas iniciam os programas de intervenção precoce. O que tem faltado nos nossos tratamentos que lhes permitiu desenvolverem-se? Como conseguimos evitá-los?
Uma rápida revisão de alguns aspectos do desenvolvimento oro-motor básico. As crianças nascem com dois pontos moles no crânio. Um no alto do crânio, na linha média (moleira), e outro embaixo do crânio também na linha média. Estes pontos moles facilitam o processo de nascimento, permitindo a superposição dessas placas do crânio, facilitando o movimento descendente da criança. Depois do nascimento, as placas voltam à sua posição original, finalmente juntando-se entre 12 e 18 meses de idade. Quando as placas encontram-se no topo do crânio, moldam-se ao formato do contorno do cérebro, nos dando o formato redondo da cabeça. Na população com SD, o fechamento da moleira não se dá antes dos 24 meses de idade.
Oclusão idêntica das placas ocorre sob o cérebro, nas placas do palato duro. Assim como o cérebro configura o formato do topo da cabeça, a língua dá forma ao palato. Durante o fechamento do palato, se a língua não se mantiver habitualmente dentro da boca, não há nada que iniba o movimento das placas em direção à linha média. O resultado: mito nº. 1, um palato duro alto e estreito.
Isto pode ser evitado? Voltemos ao bebê no nascimento. Não é do conhecimento geral que mesmo crianças com hipotonia severa, no nascimento, incluindo SD, são respiradores nasais. Elas mantêm suas línguas dentro da boca e, quando avaliadas, as línguas não são exageradamente grandes. Oralmente, estas crianças se parecem com qualquer outra criança, com exceção da sucção mais fraca. Esta importante observação nos leva à conexão entre músculos da mastigação e a musculatura para falar.
Em rápida sucessão, uma cascata de eventos se abre para estes bebes com sucção fraca. Muitas mães me contaram que gostariam profundamente de amamentar seu recém-nascido, mas são incapazes por que o bebê tem uma sucção fraca e/ou a mãe não produz leite suficiente. Excluindo um problema de saúde, a dificuldade é geralmente que a sucção da criança não é bastante forte para estimular as glândulas mamárias para produzir uma quantidade suficiente de leite.
Neste cenário, as mães são tradicionalmente encorajadas pelos médicos a usarem a mamadeira. Amamentar com a mamadeira é adequado quando há necessidade terapêutica, mas às mães são dadas poucas escolhas. Além do mais, quando amamentados com a mamadeira, é comum que o furo do bico seja em cruz ou alargado para facilitar a sucção do bebê. A criança é apoiada no braço dobrado da mãe e a mamadeira é segurada na diagonal, com o bico para baixo. Visualize a cena – o leite escorre facilmente na boca do bebê, mas o quê faz parar o fluxo do líquido, permitindo à criança engolir? A língua protruída; mito nº.2. A excessiva protrusão de língua é um comportamento aprendido que cria uma manifestação física.
Continue visualizando esta criança com baixo tônus muscular. Existe um esfíncter muscular na base da Tuba Auditiva, cuja função é permitir o equilíbrio de pressão dentro do ouvido médio. Se o baixo tônus muscular reduz a eficiência deste esfíncter, então na posição de amamentar o bebê descrita acima, o leite pode perfeitamente entrar no ouvido médio. O resultado: otite média crônica; fator primário causador de perda auditiva condutiva; mito nº. 3.
A entrada de líquido no ouvido médio, e a infecção resultante, difunde-se através das mucosas das membranas do sistema respiratório e freqüentemente torna-se a origem de infecções crônicas do trato respiratório superior; mito nº. 4. A cavidade nasal está congestionada, a criança transfere a respiração nasal para uma respiração oral e temos o mito nº. 5. A mandíbula “cai” para acomodar a respiração oral, encorajando uma postura crônica de boca aberta; mito nº. 6. Como a língua não pode mais ser mantida dentro da boca pelos lábios fechados, o arco palatal não tem nada que impeça o seu movimento em direção à linha média, e acabamos com um palato estreito e ogival, completando o círculo de retorno ao mito nº. 1. A língua da criança permanece flácida com a postura de boca aberta em descanso. A falta de uma retração apropriada da língua é o mito nº. 7. Esta aparência alargada da língua não é, portanto, geneticamente codificada, mas sim uma conseqüência. É muito mais o resultado de uma série de cuidados que são dados em resposta ao problema verdadeiro da fraca sucção.
A compreensão deste cenário permite o entendimento das características vistas nestas crianças quando a fonoaudióloga começa a trabalhar na correção das diversos distúrbios da articulação. O atendimento da musculatura/estrutura orofacial desde o nascimento constitui uma terapia preventiva mais eficiente do que a postura “vamos-esperar-para-ver”, existente hoje em dia. Estas características físicas não estão pré-determinadas. O nosso objetivo terapêutico é o de normalizar o sistema oro-motor através da alimentação iniciada na infância.
Na infância, a nutrição tem a atenção prioritária. Nosso trabalho é balancear a nutrição, uma alimentação bem sucedida e o atendimento terapêutico. O objetivo número 1 é mudar a posição na qual a criança é alimentada. A boca deve sempre estar abaixo dos ouvidos para prevenir a entrada do leite na Tuba Auditiva. A posição da mamadeira será alterada para introduzir o bico abaixo da boca, verticalmente, estimulando um leve abaixamento do queixo do nenê. Nesta posição a criança suga o leite do bico predominantemente com a retração da língua. Esta posição e a força da sucção evitam que o leite de escorra livremente dentro da boca da criança. A criança não necessita mais de uma forte protrusão da língua para permitir a deglutição. É muito importante não aumentar o furo do bico.
As crianças com sucção fraca conseguem puxar o leite para suas bocas nesta posição? Sim, é só você não usar as mamadeiras comuns. Mamadeiras com medidores, de 100 ou 200 ml, podem ser enchidas com leite materno ou qualquer alimento líquido, e o ar pode ser expulso, criando um vácuo. Este tipo de mamadeira pode então ser oferecido à criança em uma posição verticalizada. Se a criança tem sucção fraca e apresenta problemas para sugar o leite, você pode facilitar pressionando suavemente o frasco. Quando eu usei esta técnica, até mesmo com crianças com paralisia mais severa, sempre obtive sucesso. Depois de uma semana mais ou menos, você poderá pressionar menos o frasco, à medida que os músculos vão ficando mais fortes. Esta facilitação é geralmente eliminada entre 3 a 6 semanas.
As mães que amamentam no seio devem seguir os mesmos princípios. Segurar a criança em uma posição onde a boca esteja mais baixa que os ouvidos. Enquanto o bebê suga, a mãe deve estimular as glândulas mamárias para aumentar o fluxo do leite. Isto faz com que o leite da mãe saia com mais força. À medida que a força de sucção da criança aumenta, a necessidade de estimular a glândula será eliminada.
Uma simples modificação na posição da boca da criança relacionada em relação à mamadeira/peito pode melhorar a habilidade oral-motora a longo prazo. Esta modificação evita que uma série de padrões anormais de compensação se desenvolvam. Isto é tão significativo que eu incorporei uma intervenção alimentar no tratamento de todos os meus pacientes com dificuldades oro-motoras, independente da idade ou do diagnóstico. Até mesmo meus pacientes “não-especiais” da 3ª série em tratamento por interposição de língua, trabalham para desenvolver força muscular e retração de língua através da alimentação.
Se os Fonoaudiólogos aceitam a premissa de que a fala normal é baseada em estruturas e funções orais normais, então devemos reconhecer a importância de propiciar desde o início uma intervenção através da alimentação.